É assim que acaba (Colleen Hoover)

"Não existem pessoas ruins. Todos somos humanos e as vezes fazemos coisas ruins"

        Ao pegar um livro da Colleen Hoover para ler você já sabe que vai chorar, afinal ela é especialista em destruir nosso psicológico de uma maneira que amamos. Em É assim que acaba não é diferente e neste livro ela vai abordar um tema que infelizmente é comum para muitas mulheres: relacionamentos abusivos.

Lilly é uma jovem de 22 anos que teve um passado traumático. Durante toda sua infância e adolescência ela presenciou o pai agredindo a mãe e por isso cresceu odiando ele. O pai nunca agrediu a filha, mas espancava a esposa frequentemente e a pequena Lilly via tudo.

Na adolescência Lilly conheceu um garoto chamado Atlas que havia saído de casa e estava morando numa casa abandonada ao lado da casa de Lilly.  A garota começou a levar comida e cobertores para ele, depois passou a convida-lo para ir a sua casa quando os pais não estavam e dessa amizade floresceu um romance. Um romance adolescente, mas que a marcou para sempre.

Já adulta Lilly, no dia do enterro de seu pai, conhece Ryle por acaso e seis meses depois, também por acaso eles se reencontram.  Ryle é um neurocirurgião recém formado que tem como meta ser o melhor neurocirurgião dos Estados Unidos. Justamente por isso Ryle não quer ter nenhum relacionamento sério, ele jura que nunca vai se casar e muito menos ter filhos, pois não pode deixar que nada tire sua atenção da medicina. Só que ao conhecer Lilly tudo muda, pois ele acaba se apaixonando perdidamente por ela.

Os dois engatam um romance lindo e acabam se casando, mas Ryle começa a ter comportamentos agressivos com Lilly e quando Atlas reaparece as coisas pioram bastante.

"Só porque uma pessoa te machuca não significa que podemos simplesmente deixar de ama-la. Não são as ações de uma pessoa que nos machuca. É o amor. Se não tem amor ligado a ação, a dor seria um pouco mais fácil de aguentar."

Essa é uma historia de partir do coração porque Ryle é um personagem que a gente ama logo de cara. Ele é atencioso, amoroso, engraçado, enfim é tudo que a gente ama num personagem masculino. Bem, quase tudo, pois quando fica nervoso ele perde a cabeça e acaba partindo para a agressão. É doloroso porque você torce pelo casal, eles são tão lindos juntos, só que ao mesmo tempo você sabe que Lilly não pode aceitar viver daquele jeito.

Ryle tenta justificar suas atitudes e perde perdão de forma sincera, e Lilly fica tentada a perdoar todas as vezes, mas ela se lembra de como a mãe era vitima das agressões do pai e de como ela jurou que nunca ia permitir que um homem a tratassem assim.

"Enquanto o encaro, penso em como é fácil julgar os outros quando estamos de fora. Eu, inclusive, passei anos julgando a minha mãe".

Lilly ama Ryle e sabe que a Ryle também a ama e por isso vive no dilema de perdoar ou não. Ele jura que vai mudar e que vai se controlar, mas será que ela deve pagar pra ver?

Outro ponto interessante é que muitas vezes Lilly acaba se sentindo culpada pelo o que aconteceu. As lembranças que ela guarda de Atlas fazem Ryle ter uma explosão de ciumes, então ela pensa que se ela não tivesse guardado aquelas lembranças a briga, e consequentemente a agressão não teria acontecido. É a velha historia de se culpar mesmo quando você é a vitima.

Para todas as mulheres que de alguma forma já tiveram um relacionamento abusivo esse é um livro que mexe muito. Ele incomoda porque joga na sua cara coisas que você sabe como são, mas insiste em tentar tapar o sol com a peneira. Além disso vale destacar a escrita sensacional da Collen Hoover, que é simplesmente impossível parar de ler.

"As coisas não deveriam ser assim. Durante toda a vida eu sabia exatamente o que fazer se um homem me tratasse como meu pai tratava a minha mãe. Era simples, eu iria embora, e aquilo nunca mais se repetiria. mas eu não fui embora. E agora aqui estou: com machucados e cortes pelo corpo, causados pelo homem que deveria me amar. Causados por meu próprio marido. E ainda assim tento justificar o que aconteceu"

O final do livro me fez chorar. Acho que foi a atitude mais difícil que Lilly teve que fazer e foi de partir do coração. Quando eu achava que nada mais me abalaria naquele livro, li a nota da autora onde Colleen nos conta que se inspirou na própria mãe para escrever esse livro. Sim, a mãe dela foi vitima de violência domestica quando Coleen ainda era bem pequena. A autora nos conta sobre a mãe e sobre seu relacionamento co  o pai.

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