A GUERRA QUE ME ENSINOU A VIVER (Kimberly Brubaker Bradley)

"É possível saber um monte de coisas e mesmo assim não acreditar em nenhuma delas."

A guerra que me ensinou a viver é a continuação de A guerra que salvou a minha vida, uma história linda e comovente.  Já fiz resenha do primeiro livro aqui no blog, mas recapitulando, no primeiro livro somos apresentados as crianças Ada e Jamie que vivem em Londres com a mãe. 

Ada é uma menina de dez anos que nasceu com uma deformidade no pé chamada de pé torto e por isso não anda direito. A menina passou a vida trancada em casa, a mãe tem vergonha dela e nunca a deixa sair. Além de ouvir coisas horríveis da mãe, Ada também é obrigada a fazer as tarefas domesticas e constantemente é alvo dos castigos e maus tratos da mãe.  Tudo muda quando, devido a guerra, o governo decide mandar as crianças de Londres para o interior, já que a cidade esta em constante risco de ser bombardeada.  Ada e o irmãozinho Jamie vão parar na casa de Susan, uma mulher triste que não queria ter que cuidar de crianças, mas acaba se encantando pelos irmãos. Acompanhando Ada aprendendo a viver e pela primeira vez na vida a receber cuidados e amor.

Nesse segundo livro, Ada é operada e fica com o pé praticamente normal. Outro ponto importante que acontece logo no inicio do livro é que a mãe das crianças morre em um bombardeio e assim Susan fica como guardiã legal delas.  Como a casa de Susan havia sido destruída no fim do primeiro livro, eles se mudam para um chalé emprestado por Lady Thorton. Ada continua com seu jeito de sempre, o que nos irrita as vezes, mas quando lembramos a história de vida dela podemos entender.

"Eu estava apoiada nos dois pés, sem muletas, usando dois sapatos. Conseguia ler, conseguia cantar. Tinha ido até a igreja já caminhando, mesmo sendo um pedação. Precisava me lembrar disso. Tentei me forçar a me sentir feliz, mas por sob a felicidade eu estava espinhosa, como se toda a pele do meu corpo estivesse esticada demais. Eu podia não ser uma aleijada, mas ainda não sabia quem eu era."

A guerra continua a pleno vapor e a mansão dos Thorton acaba sendo ocupada pelos soldades, então Lady Thorton é obrigada a ficar no chalé junto com Susan e as crianças. Outra personagem importante nesse livro é Rute, uma jovem de dezesseis anos que também vai morar no chalé para ter aulas de matemática com Susan. A menina vai a mando de Lorde Thorton, mas Lady Thorton não quer aceita-la pelo fato dela ser alemã. Rute é judia e fugiu com os pais da Alemanha devido as perseguições de Hitler. É muito interessante acompanhar a história dela. 

O livro tem o mesmo encanto que o primeiro, Ada continua apaixonada pelos cavalos, especialmente pelo ponei Manteiga, mas ela ainda tem certo receio de amar e se deixar ser amada pelas pessoas, especialmente por Susan.

É um livro lindo e comovente, que nos mostra o retrato de uma guerra que devastou milhares de pessoas. O livro termina com Ada aos quatorze anos, mas a guerra ainda não terminou.

"Eu me tornei quem eu queria ser."

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