Resenha: LUGARES ESCUROS (Gillian Flynn)

"Nunca posso alimentar esses pensamentos. Classifiquei essas lembranças como se fossem um lugar particularmente perigoso: um lugar escuro."

Dos livros da Gillian Flynn este é o mais pesado, o vocabulário usado pode causar desconforto em muitas pessoas, mas a história vale a pena. 

Lugares Escuros é um thriller psicológico daqueles de abalar seu psicológico. A história gira em torno de uma moça chamada Libby Day que viveu uma grande tragédia familiar na infância. 

Libby  morava numa fazenda com a mãe, as duas irmãs menores e o irmão mais velho até que uma noite, quando Libby tinha apenas sete anos, tudo mudou. Enquanto as meninas e a mãe dormiam, alguém entrou na casa e atacou a família de forma extremamente brutal. As duas meninas menores e a mãe morreram, mas Libby sobreviveu. Ben, o irmão de quinze anos também sobreviveu, mas ele foi acusado de ser o autor do crime e foi condenado a prisão perpetua.

Vinte e quatro anos se passaram, Libby cresceu com traumas, sem família nem amigos. Ela não gosta de trabalhar e vive de doações de pessoas sensibilizadas com sua história, gosta de furtar pequenos objetos e não é uma mocinha agradável. Ela sempre acreditou que o irmão fosse o assassino, inclusive o depoimento dela foi crucial para a condenação de Ben, mas ela tinha apenas sete anos, será que ela viu realmente o que acha que viu?

"Eu tenho uma maldade dentro de mim, tão real quanto um órgão. Corte minha barriga e talvez ela escorra para fora, viscosa e escura, e caia no chão para que você possa pisar nela. 

Agora, Libby é procurada por uma sociedade secreta chama Kill Clube que acredita que Ben seja inocente e estão empenhados em provar isso. A principio ela não quer mexer nessa história, mas como esta ficando sem dinheiro ela vê no clube uma possibilidade de extorquir dinheiro em troca de informações que só ela pode dar.

Libby mergulha no passado, em lembranças que estão escondidas em lugares escuros de sua mente e aos poucos começa a se questionar se o irmão foi mesmo o assassino daquela noite.

"Eu não era uma criança adorável e me tornei uma adulta extremamente detestável. Se alguém fizesse um retrato da minha alma, veria um amontoado de rabiscos com presas".

Os capítulos de dividem entre o presente e o passado, onde a autora vai nos contando como era a vida de Ben com a família e com os perturbados amigos. Vamos entrando na mente daquele adolescente e a cada capitulo a duvida se ele é ou não o culpado vai aumentando. 

Para quem gosta de suspense e investigação de crime, ir juntando pistas e tentar descobrir o assassino esse livro é sensacional. O que me incomodou nele é a forma como algumas cenas são descritas. cenas de extrema violência, além de palavrões a todo momento e culto de adoração a "seres do mal" se é que vocês me entendem. Isso me incomodou muito e alguns trechos do livro, principalmente os do poema, eu pulei, não consegui ler aquilo, pois é algo que me incomoda. Mas no geral é um bom livro

Então, se você não liga para palavrões e cultos de adoração ao mal, você vai curtir bastante esse livro.

"...minha mente mergulhava num lugar escuro. Manchas maníacas de um vermelho brilhante soam na noite. Aquele inevitável machado ritmado se movendo mecanicamente como se cortasse madeira. Disparos de espingarda em um pequeno corredor. Os gritos apavorados da minha mãe, ainda tentando salvar os filhos com metade da cabeça faltando."


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