Resenha: RAGTIME (E. L. Doctorow)

Ragtime foi o livro enviado pela TAG aos associados no mês de agosto e é um mergulho na cultura americana no inicio do século passado. 

O termo Ragtime refere-se a um estilo musical que surgiu nas comunidades negras americanas e se popularizou nos EUA no fim do século XIX e é considerado um precursor do Jazz.

Ragtime foi lançado em 1975 e hoje esta na lista dos 100 livros essenciais para se ler.

O livro possui núcleos com personagens diferentes, que não se conhecem, mas que em algum momento vão estar relacionados. Os protagonistas são uma família de classe média americana, que não tem os nomes revelados, eles são descritos no livro apenas como papai, mamãe, menino, vovô e o irmão mais novo da mamãe.

A vida dessa família muda quando o menino e a mamãe encontram um bebê negro parcialmente enterrado no jardim. A criança, recém nascida, ainda estava viva e pouco depois descobre-que a mãe do bebê é uma jovem negra, mãe solteira chamada Sarah. Mamãe acolhe Sarah e o bebê, e a moça passa a trabalhar para a família. É por causa de Sarah que a família vai conhecer Coalhouse Walker, um músico que toca Ragtime, se veste bem, tem ótimo vocabulário e ainda tem um carro modelo Ford T.

Precisamos lembrar que essa história se passa no inicio do século XX, uma época onde os carros não eram populares, eram caros, não existiam esses financiamentos de hoje e por isso poucas pessoas tinham o privilegio de possuir um automóvel. É ai que o livro aborda o racismo. Coalhouse Walker é um homem negro que possui um carro. É um negro que tem boas maneiras, é educado, toca piano divinamente ou seja é o oposto do que muitos brancos naquela época consideravam apropriados para um negro. Coalhouse acaba sendo vitima de uma injustiça e procura a polícia, mas polícia não dá ouvidos, ninguém vai abrir um processo de um negro contra um branco.  Indignado, Coalhouse começa a lutar pelos direitos dos negros, lutar por leis de igualdade entre raças, mas quando uma tragédia acontece ele se revolta e decide fazer justiça com as próprias mãos.

Paralelo a historia principal, vamos conhecendo outros personagens como  Tateh, um pobre artista que vive com sua filhinha, nomeada apenas como menina.  Vale destacar que tateh não é o nome do homem, tateh significa papai em iídiche. A história dos dois é muito linda e tocante.

O livro trás também uma série de personagens reais, fazendo uma mistura de ficção e realidade. Entre as personalidades reais que encontramos nesse livro estão: Henry Ford o homem que revolucionou a industria automobilística criando o sistema de produção em massa; Harry Holdini um dos mais famosos ilusionistas no mundo; J. P Morgan  considerado o maior banqueiro da história; a ativista Emma Goldman ; a cantora Evelyn Nesbit entre outros.

Um dos pontos altos do livros é que ele  narra fatos históricos importantes daquela época nos Estados Unidos como as primeiras greves que começavam a surgir nas fábricas, o poder da imprensa, o surgimento do cinema entre outros, além de uma analise sólida da sociedade americana no inicio do século XX.

Com uma linguagem simples, o livro é uma delicia de se ler. As histórias são bem construídas e tudo vai se ligando de uma forma ou de outra no decorrer no livro. É uma ótima dica de leitura para quem gosta de romances históricos e para quem quer conhecer um pouquinho mais sobre a formação da sociedade americana.

Um filme baseado no livro foi lançado em 1981 e no Brasil recebeu o título de "Na época do Ragtime"

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