Resenha: Minha vida de menina (Hekena Morley)

     "Por que todo mundo gosta de reprovar as coisas más que a gente faz e não elogia as boas?"

Awn! Gente eu achei esse livro tão fofo. É um mergulho no passado, de uma forma descontraída que vai te prender por horas e te fazer refletir sobre muitas coisas.

Minha vida de menina é o diário real da autora de quando ela tinha entre 13 e 15 anos, e isso foi lá trás, entre os anos de  1893 e 1895. O livro foi publicado em 1942 porque a autora queria mostrar a suas netas e as novas gerações como era ser uma menina no passado. Então ela reuniu os diários que guardava e os transformou nesse maravilhoso livro.

O livro é de fato um diário, em cada página tem a data e os relatos da menina (no estilo do diário de Anne Frank). Por escrito por uma pré adolescente a linguagem é simples, embora tenha termos provenientes da época. A escrita é uma delicia, e alguns trechos vão te fazer rolar de rir.

"Estou esta semana presa em casa com o joelho ferido e inflamado de uma queda de cavalo. Tenho sofrido muito, não pela ferida do joelho, mas pela prisão em casa"

Helena é uma menina que esta entrando na adolescência, mas ainda é uma moleca, gosta de brincar, de correr e se divertir com as amigas e primos. Ela inveja algumas coisas e deixa isso bem claro, sincera até  o último fio de cabelo.Muito simpática e questionadora ela nos conta fatos do seu dia a dia na cidade mineira de  Diamantina, onde mora. 

A família de Helena é simples, o pai é mineiro e vive em outra cidade indo para casa somente aos fins de semana. Helena fica com mãe e os três irmãos. Eles são católicos, mas por diversas vezes a menina questiona os ensinamentos da igreja, como se quisesse provas de que tudo o que estava ouvindo tivesse acontecido de verdade. A família por parte de pai é inglesa, e através da tia Marge, Helena recebe alguns ensinamentos do cotidiano britânico.

No inicio de 1893 Helena começa a frequentar a escola normal e um dos professores pede aos alunos que escrevam todos os dias, que relatem por escrito o que lhe aconteceu. Para Helena isso não é um problema, pois ela já era incentivada pelo pai e escrever diários.

"Se há uma coisa que me faz muita tristeza é gostar muito de uma pessoa, pensando que ela é boa e depois ver que é ruim"

Esse livro é tão gostoso de se ler que você sente uma dorzinha no coração quando termina. Helena nos conta suas travessuras de menina e coisas que nos fazem ter vontade de voltar de tempo para desfrutar também. Ir nadar no rio, subir na árvore para pegar frutas, ir jogar cartas na casa dos tios, são coisas simples que faziam parte da vida naquela época. É bom lembrar que não existia televisão, computador, celular e nem mesmo luz elétrica, mas as crianças de divertiam de uma forma tão pura e criativa que é lindo de se ler.

Um ponto que chama a atenção é em relação aos negros. Na época em que Helena escreve, a abolição da escravatura tinha acontecido a pouquíssimo tempo (foi em 1888) e muitos negros continuavam nas fazendas de seus patroes, não como escravos, mas como empregados. Na casa da avó materna de Helena ainda vivem vários negros e várias passagens referentes a eles são relatados pela menina. Enquanto alguns adultos ainda tem preconceitos com os negros, Helena não. Ela trata as crianças negras igual trata as brancas, ela não vê distinção e vale lembrar que estamos falando de uma época onde a abolição da escravatura tinha sido feita a apenas 5 anos.

Outro fator histórico que estava acontecendo naquela época é a instalação da Republica e Helena também nos presenteia com sua visão de menina sobre as transformações que estão ocorrendo em nosso país.

Algumas passagens são muito divertidas, como quando Helena vai  ser professora numa escola por alguns dias, substituindo sua tia, e fica desesperada com a malcriação dos alunos

"Pus a mão na cabeça e pensei: Esta decidido! Tudo na vida, menos mestra de escola. Se eu passar mais um dia como este, fico maluca"

O livro é realmente uma delicia de se ler. É uma viagem no tempo, um tempo de coisas simples, onde crianças eram crianças, onde as lendas eram contadas, onde a vida era desfrutada e não apenas vivida.




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