Resenha: OBJETOS CORTANTES (Gillian Flynn)

"Quando você morre, se torna perfeita"

Objetos Cortantes é o meu livro favorito da Guillian Flynn. Foi o primeiro dela que eu li, e gostei tanto que acabei comprando o Garota exemplar e depois Lugares Escuros. Recentemente comprei também o conto O adulto. Mas na minha opinião Objetos Cortantes ainda é o melhor.

A protagonista é uma mulher chamada Camille Preaker, uma jornalista que trabalha num jornal sem muito prestigio na cidade de Chicago. O chefe vive querendo uma matéria boa, que possa elevar o nível do jornal e ele vê essa oportunidade quando fica sabendo que houve um assassinato e o desaparecimento de duas crianças na cidadezinha de Wind Gap. Ele logo escala Camille para ir até a cidade e fazer uma reportagem sobre o caso. O problema é que Wind Gap é a cidade onde Camille cresceu, e o lugar não lhe trás boas lembranças. Agora, oito anos sair de lá ela precisa voltar.

"Este lugar faz coisas ruins comigo. Eu me sinto errada"

Camille tem cerca de 30 anos e não faz muito tempo que ela saiu de um hospital psiquiátrico onde tratava seu problema de automutilação. Desde a adolescência, ainda morando em Wind Gap, Camille se cortava, escrevia no corpo palavras como "feia", "burra", "sumir". Ela escrevia isso com navalhas, tesouras, estiletes ou qualquer objeto cortante, então ela tem o corpo coberto de cicatrizes e é por isso que ela sempre usa roupas de manga comprida.

Ao voltar para Wind Gap, Camille fica na casa de Adora, sua mãe. É uma das casas mais ricas da cidade, pois eles são donos de um abatedouro de porcos. Adora é casada com Allan e eles tem uma filha de 13 anos chamada Amma, que Camille praticamente não conhecia pois quando ela foi embora Amma era muito pequena. 

Quando era jovem Adora engravidou de um homem que a abandonou e ela colocou toda sua frustração e raiva em Camille assim que a menina nasceu. Ela sentia que Camille era um peso em sua vida, uma lembrança de um relacionamento que a fez sofrer. Alguns anos depois, ela conheceu Allan com quem se casou e teve uma filha chamava Mariam. Enquanto Camille era tratada com desprezo pela mãe, Mariam era a princesinha da casa. Adora amava a filha mais nova e a mimava, porém a menina vivia internada em hospitais, com doenças que ninguém conseguia diagnosticar direito. A criança acabou falecendo e isso abalou o mundo de Camille e destruiu Adora. Camille sentia que devia ter sido ela a morrer, afinal ela era a filha rejeitada, aquela que ninguém amava.

"Eu me corto, sabe? Também retalho, fatio, gravo, espeto...Sou um caso bem especial. Tenho uma razão. Minha pele, sabe, ela grita"

Ao voltar para casa, Camille volta para suas lembranças. Adora continua sendo uma mulher controladora e fria com ela e com Allan, mas idolatra e mima ao extremo sua filha Amma. Adora trata a menina como se ela fosse um bebê. Amma tem 13 anos e já faz coisas bem adultas quando esta com as amigas e amigos, como beber, se drogar e transar, mas em casa ela é a menininha da mamãe. Quando esta doente, Adora se senta numa cadeira de balanço, coloca Amma no colo enrolada numa manta e a balança como como se ela fosse um bebezinho. 

Em casa Amma gosta de brincar de boneca e deixa a mãe a vestir como se ela fosse uma boneca, mas ao sair para rua ela usa roupas provocantes e seduz os garotos para conseguir o que quer. A garota é tipo a líder de sua turma com varias "seguidoras" que fazem tudo por ela. Apesar de Adora fazer tudo por Amma, a menina sente que não consegue ocupar o lugar deixado por Mariam. 

"__Uso esse vestidinho por causa de Adora. Quando estou em casa sou a bonequinha dela
 __ E quando não esta?
 __ Sou outras coisas. Você é Camille minha meia irmã. A primeira filha de Adora, antes de Mariam. Você é pré eu sou pós"

Em meio aos dramas familiares, Camille faz o que realmente foi fazer ali: uma matéria para o jornal sobre o assassinato de meninas, e para isso ela se junta ao detetive Richard, que esta investigando o crime. Os dois ficam bastante próximos e acabam tendo um caso.

O livro gira em torno de um suspense, afinal queremos saber quem é o assassino e porque ele ou ela mata crianças dessa forma brutal. As vitimas sempre são meninas entre 9 e 10 anos que são enforcadas com uma corda e tem todos os dentes arrancados. Depois o corpo é jogado em algum lugar. Enquanto procura pistas, Camille vai encontrando pessoas conhecidas, amigas de infância e tentando  entender o que aconteceu. Lembranças do passado vão vindo a tona e cada capitulo é uma nova surpresa.

O final é simplesmente surpreendente. É doentio, é algo como só Guillian Flynn consegue fazer.

Esse é um livro pesado, mas muito fácil de se ler. Digo que é pesado pelos temas que ela aborda como automutilação e a  morte de crianças de forma tão cruel, mas é fácil pois a escrita de Guillian é ótima de se ler. A leitura flui muito bem e você não consegue parar de ler até chegar ao final. E que final heim!


OBS: esse livro foi lançado em 2008 pela editora Rocco com o titulo de "Na própria carne". Em 2015 ele foi relançado pela Intrínseca com o titulo de "Objetos cortantes"

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