Resenha: A LETRA ESCARLATE (Nathaniel Hawthorne)

Ninguém pode, por muito tempo, ter  um rosto para si mesmo e outro para a multidão sem no final confundir qual deles é o verdadeiro

A Letra escarlate é um daqueles livros que te fazem voltar no tempo e agradecer por viver no século XXI.
O livro foi publicado em 1850, mas a história se passa dois séculos antes, numa época em que tudo era considerado pecado, especialmente vindo de uma mulher.

Nossa protagonista é uma jovem mulher chamada Hester Prynne.  Hester se muda para uma nova cidade em busca de uma vida melhor, enquanto seu marido permanece na cidade natal para terminar de resolver algumas coisas e promete ir encontra-la em algumas semanas. Só que dois anos se passam  e o marido não aparece. Hester até tenta descobrir o que aconteceu, mas sem nenhuma notícia dele, ela começa a acreditar que ele esteja morto.

O livro começa com Hester saindo da prisão com a filha de três meses nos braços. Ela havia sido presa sob a acusação de adultério ao ter aparecido grávida de repente. Hester é humilhada em público, diante de toda a cidade, num palanque da praça onde os criminosos eram açoitados e enforcados e é instigada a contar quem é o pai da criança, ou seja, quem pecou junto com ela. Hester se recusa a falar e para completar a punição, ela recebe a letra escarlate.

A letra escarlate é uma grande letra A, (de Adultera), na cor vermelha que precisa ser bordada nas roupas, na parte que fica sob o peito e a mulher acusada de adultério deve usar a letra pelo resto da vida. Ela fica marcada para sempre, pois por onde passar todos saberão que trata-se de uma adultera. É como um selo da vergonha estampado para sempre em você.

O tempo vai passando e Hester vai levando a vida com sua filhinha Pearl. Ela sustenta a casa graças aos bordados que faz para vender, as pessoas compram seus bordados porque eles são realmente bons, mas evitam falar com ela. Hester é mal falada e evitada, afinal nenhuma mulher de respeito por ser vista na companhia de uma adultera. Além disso ela também é constantemente citada nos sermões da igreja como um exemplo de pecadora. O peso também recai sobre a pequena Pearl, vista como a filha do pecado, a menina é destratada e afastada de todos e sua única companhia é a mãe. Pearl vê as outras crianças brincando, mas não pode se aproximar, ninguém deixaria os filhos brincarem com uma criança fruto do pecado.

Quando Pearl esta com sete anos ela adoece e o médico Dr. Roger é chamado para atende-la. Pearl se recupera e descobrimos que o médico é na verdade o marido de Hester, aquele que havia sumido. Ele não revela a ninguém sua verdadeira identidade, ninguém na cidade suspeita que o médico é o marido da adultera, porém ele promete a Hester encontrar o homem que a engravidou e causou tanto sofrimento a ela e a menina.

Hester sabe perfeitamente quem é o homem que a engravidou, mas se recusa a revelar e a busca do Dr. Roger em descobrir quem é esse homem mostra um desejo, uma necedade até, em descobrir quem é o  homem que o fez corno. É interessante ver que o dr. Roger não odeia Hester pela traição, na verdade ele sabe que tem culpa em tudo o que aconteceu com ela, afinal ele ficou sumido por dois anos, mas claro, se recusa a revelar quem é para toda a cidade.

“Mesmo que pensasse em me vingar, o que poderia ser melhor do que manter vivo o objeto dessa vingança, do que lhe administrar remédios contra todo mal e risco de morte, de modo que essa ardente vergonha possa continuar a queimar sobre o teu peito?

A letra escarlate é o retrato de uma sociedade machista e puritana, onde a religião acredita que tudo seja pecado. Para uma mulher, até mesmo sorrir é considerado pecado. As pessoas julgam os atos dos outros o todo tempo, mas mantem os seus próprios atos em segredo. 

Esse livro é considerado um dos grandes clássicos na literatura mundial e é leitura obrigatória em muitas escolas americanas. Vale a pena ser lido e para quem curte cinema, existe um filme de 1995 com o mesmo titulo, A letra escarlate, com Demi Moore no papel principal.

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