Resenha: TARTARUGAS ATÉ LÁ EMBAIXO (John Green)

"Qualquer um pode olhar para você, mas é muito raro encontrar quem veja o mesmo mundo que o seu".

Então eu li o novo livro do John Green e devo dizer que gostei muito. Não é meu livro favorito dele (continua sendo Quem é você Alasca?), mas é um livro muito bem escrito e com uma história que te prende. É curtinho (umas duzentas e sessenta páginas mais ou menos),  li em apenas dois dias e já estou sentindo falta dos personagens.

Tartarugas até lá embaixo vai contar a história de uma adolescente chamada Aza que sofre de um transtorno obsessivo compulsivo. Ela tem um medo irracional de ser contaminada por bactérias e tem um machucado no dedo que nunca cicatriza, pois ela sempre o abre de novo. Aza ainda era criança quando machucou o dedo pela primeira vez, ela forçou a unha do polegar em cima do dedo médio até sangrar. Fez um curativo e colocou um band-aid, mas tinha um medo doentio do machucado infeccionar. Ela sempre acha que já esta infeccionado e que ela vai pegar a temível bactéria C.diff então ela mete a unha no machucado novamente até o corte abrir e deixa o sangue escorrer para tirar do corpo as bactérias que ela acha que estão ali. E a coisa continua assim por anos, como uma espiral, ela esta sempre se machucando e os pensamentos obsessivos tomam conta de sua mente. É interessante ressaltar que o autor, John Green, também sofre de TOC e colocou muito de si mesmo em Aza.

"Você dá poder demais a seus pensamentos Aza. São apenas pensamentos. Eles não são você. Você pertence a si mesma, mesmo quando seus pensamentos não pertencem."

Certo dia, Aza e sua melhor amiga Dayse ouvem a noticia do desaparecimento de uma milionário, e que estão oferecendo uma recompensa de 100 mil dólares para quem der informações sobre o paradeiro dele. Por coincidência Aza já foi amiga do filho do milionário, um menino chamado Davis. Os dois não se viam a anos, apesar de morarem relativamente próximos. Dayse convence Aza a irem até a casa de Davis e tentar descobrir alguma coisa sobre o pai dele, elas estão interessadas na recompensa.

A partir dai Aza e Davis retomam a amizade que tinham na infância e até um romance começa a surgir, mas é difícil para uma menina com os problemas mentais de Aza manter um relacionamento. Quando beija Davis, ela entra em panico pois só consegue pensar nos milhões de bactérias da boca dele que estão passando pra ela.

"Ele esta tentando te tratar como se você fosse normal e você esta tentando agir como se fosse normal mas todos os envolvidos sabem que você definitivamente não é normal. Pessoas normais podem beijar quando quiserem. Pessoas normais não suam tanto. Pessoas normais escolhem os propários pensamentos como escolhem o que vão ver na Tv. Todos nessa conversa sabem que você é maluca".

Quando eu li a sinopse desse livro imaginei que a historia iria girar em torno da protagonista tentando descobrir o que aconteceu com o milionário desaparecido, achei que seria quase uma historia de detetive, mas não é. Davis não quer que investiguem sobre o pai e Aza respeita isso, ela não fica correndo atras de pistas, mas as vezes elas aparecem. Porém o foco principal da historia não é esse, a trama se centra em Aza em sua vida e em sua luta contra si mesma. É triste ver como esses pensamentos a dominam e como ela não consegue fugir de sua própria mente. Aza chega ao ponto de beber álcool em gel para tentar matar as bactérias de seu estomago e de sua boca.

Os personagens são muito bem construídos. Dayse, a melhor amiga de Aza, é uma garota sensacional que escreve fanfics de Star Wars. Davis é um menino que escreve poemas e  citações de filmes e autores famosos. Várias referencias ao mundo nerd estão presentes na história.

No geral é um livro muito bom, muito gostoso de ler e eu super recomendo. Ah! e se você estiver estranhando o título, fique tranquilo porque no meio do livro você vai descobrir o significado de tartarugas até lá embaixo.

"O verdadeiro terror não é ter medo, é não ter escolha senão senti-lo"

                                                                     

Resenha: LUGARES ESCUROS (Gillian Flynn)

"Nunca posso alimentar esses pensamentos. Classifiquei essas lembranças como se fossem um lugar particularmente perigoso: um lugar escuro."

Dos livros da Gillian Flynn este é o mais pesado, o vocabulário usado pode causar desconforto em muitas pessoas, mas a história vale a pena. 

Lugares Escuros é um thriller psicológico daqueles de abalar seu psicológico. A história gira em torno de uma moça chamada Libby Day que viveu uma grande tragédia familiar na infância. 

Libby  morava numa fazenda com a mãe, as duas irmãs menores e o irmão mais velho até que uma noite, quando Libby tinha apenas sete anos, tudo mudou. Enquanto as meninas e a mãe dormiam, alguém entrou na casa e atacou a família de forma extremamente brutal. As duas meninas menores e a mãe morreram, mas Libby sobreviveu. Ben, o irmão de quinze anos também sobreviveu, mas ele foi acusado de ser o autor do crime e foi condenado a prisão perpetua.

Vinte e quatro anos se passaram, Libby cresceu com traumas, sem família nem amigos. Ela não gosta de trabalhar e vive de doações de pessoas sensibilizadas com sua história, gosta de furtar pequenos objetos e não é uma mocinha agradável. Ela sempre acreditou que o irmão fosse o assassino, inclusive o depoimento dela foi crucial para a condenação de Ben, mas ela tinha apenas sete anos, será que ela viu realmente o que acha que viu?

"Eu tenho uma maldade dentro de mim, tão real quanto um órgão. Corte minha barriga e talvez ela escorra para fora, viscosa e escura, e caia no chão para que você possa pisar nela. 

Agora, Libby é procurada por uma sociedade secreta chama Kill Clube que acredita que Ben seja inocente e estão empenhados em provar isso. A principio ela não quer mexer nessa história, mas como esta ficando sem dinheiro ela vê no clube uma possibilidade de extorquir dinheiro em troca de informações que só ela pode dar.

Libby mergulha no passado, em lembranças que estão escondidas em lugares escuros de sua mente e aos poucos começa a se questionar se o irmão foi mesmo o assassino daquela noite.

"Eu não era uma criança adorável e me tornei uma adulta extremamente detestável. Se alguém fizesse um retrato da minha alma, veria um amontoado de rabiscos com presas".

Os capítulos de dividem entre o presente e o passado, onde a autora vai nos contando como era a vida de Ben com a família e com os perturbados amigos. Vamos entrando na mente daquele adolescente e a cada capitulo a duvida se ele é ou não o culpado vai aumentando. 

Para quem gosta de suspense e investigação de crime, ir juntando pistas e tentar descobrir o assassino esse livro é sensacional. O que me incomodou nele é a forma como algumas cenas são descritas. cenas de extrema violência, além de palavrões a todo momento e culto de adoração a "seres do mal" se é que vocês me entendem. Isso me incomodou muito e alguns trechos do livro, principalmente os do poema, eu pulei, não consegui ler aquilo, pois é algo que me incomoda. Mas no geral é um bom livro

Então, se você não liga para palavrões e cultos de adoração ao mal, você vai curtir bastante esse livro.

"...minha mente mergulhava num lugar escuro. Manchas maníacas de um vermelho brilhante soam na noite. Aquele inevitável machado ritmado se movendo mecanicamente como se cortasse madeira. Disparos de espingarda em um pequeno corredor. Os gritos apavorados da minha mãe, ainda tentando salvar os filhos com metade da cabeça faltando."


TRADUÇÃO MAIS BIZARRAS DOS TÍTULOS DE LIVROS

Seja em livros, filmes ou séries os tradutores sempre dão um show de criatividade, no post de hoje separei algumas traduções de títulos de livros que não tem nada a ver com o original. Vou listar as traduções do inglês para o português do Brasil e ainda umas pérolas com o português de Portugal.

1 - Série Millennium

O título do primeiro volume da série Millennium no original é The girl with the dragon tattoo, que na tradução seria A menina com a tatuagem de dragão. No Brasil o livro recebeu o título de Os homens que não amavam as mulheres. Bem longe do original né.  Em Portugal o título ficou "Os homens que odeiam as mulheres", quase igual no Brasil, mas o segundo volume da série recebeu um titulo bem diferente do nosso.

No original o segundo volume é The girl who played with fire e aqui no Brasil recebeu a tradução certinha A garota que brincava com fogo. Porém em Portugal o livro ganhou o bizarro título de A rapariga que sonhava com uma lata de gasolina e um fósforo.

Já o terceiro volume The girl who kicked the hornest's nest (a garota que chutou um ninho de vespas) chegou por aqui como A rainha do castelo de ar e em Portugal como  A rainha no palácio das correntes de ar.

2 - O sol é para todos.

Esse bem aclamado livro no original se chama To kill a Mockingbird (matar um todo), pode parecer estranho, mas o título faz muito sentido para quem leu o livro. No Brasil um livro chamado Matar um tordo talvez não atraísse o publico, por isso foi lançado aqui como  O sol é para todos e em Portugal ficou Não matem a cotovia.




3 - O apanhador no campo de centeio

Lançado nos Estados Unidos como The catcher in the rye (o apanhador no centeio) o livro chegou ao Brasil com a correta tradução de O apanhador no campo de centeio. Porém nossos amiguinhos portugueses resolveram lança-lo como Uma agulha no palheiro.


4- O monge e o executivo

Livro obrigatório em muitas faculdades por aí por tratar de liderança, o titulo original é The servant (o servo), mas vamos combinar que o titulo que deram no Brasil ficou bem mais interessante. O monge e o executivo por aqui chegou a Portugal como Servir para liderar.



5 - O homem do terno marrom

Livro da rainha do crime Agatha Christie The man in the brown suit recebeu no Brasil a correta tradução e ficou O homem do terno marrom. Já em Portugal ficou O homem do fato castanho. 



CURIOSIDADES DOS GRANDES AUTORES BRASILEIROS

No post de hoje trago um especial com algumas curiosidades sobre a vida dos nossos maiores escritores. Você sabia que...

Machado de Assis na infância era míope, gago e sofria de epilepsia. Enquanto escrevia o clássico Memorias Póstumas de Brás Cubas, Machado teve uma grave crise intestinal que acabou comprometendo sua já frágil visão. O médico recomendou três meses de descanso em Petrópolis, sem ler ou escrever. Impedido de redigir, Machado ditou boa parte do romance para que sua esposa Catarina redigisse.

Carlos Drumont de Andrade foi expulso do colégio Nova Anchieta, em Nova Friburgo - RJ, quando tinha dezessete anos, acusado de "insubordinação mental" após discutir com o professor de português.
Anos mais tarde, Drumont tinha o habito de falsificar a assinatura do chefe da repartição em que trabalhava.  

Aluísio de Azevedo tinha o hábito de desenhar seus personagens em papelão antes de começar a escrever seus romances. Os personagens principais feitos em papelão eram colocados em sua mesa e só aí ele começava a escrever.

Euclides da Cunha era engenheiro e foi responsável pela construção de uma ponte em São José do Rio Pardo - SP. A obra levou três meses para ser feita e pouco meses após inaugurada a ponte simplesmente desabou. Euclides a reconstruiu, mas depois disso abandonou a engenharia.

Cecília Meireles em um de suas viagens a Portugal marcou de tomar um café com o poeta Fernando Pessoa. Cecilia chegou ao meio dia e esperou até as duas da tarde, quando desistiu e voltou para o hotel, onde recebeu um livro autografado por Pessoa e uma explicação pelo "bolo". Fernando Pessoa explicou que havia lido o horoscopo pela manhã e concluído que não era um bom dia para um encontro.

Clarice Lispector era solitária, sofria de insônia e costumava ligar para os amigos e dizer coisas perturbadoras. Quando era convidada para um jantar, frequentemente acabava indo embora antes mesmo da comida ser servida.

Monteiro Lobato adorava café com farinha de milho, rapadura e içá torrado(içá é a parte traseira da formiga tanajura). Além disso também adorava tomar Biotônico Fountoura.

Vinícius de Moraes no incio dos anos 50 morava num minusculo apartamento em Copacabana e nem geladeira tinha. No verão, para aguentar o calor, chupava bala de hortelã e em seguia bebia água para ter uma sensação refrescante na boca.

Jorge Amado para autorizar a adaptação de Gabriela para a tv, impôs que o papel principal fosse dado a Sônia Braga.

Resenha: ECOS (Pam Muñoz Ryan)

"A Música a encheu de contentamento e de uma sensação de que tudo poderia, de uma vez por todas, ser melhor".

Estou encantada com esse livro, além de esteticamente ser lindo, a história, ou melhor as histórias são sensacionais. Não tem como não se apaixonar por esses personagens e sentir a magia da música correndo pelas páginas.

Ecos conta três histórias que se passam em lugares diferentes mas que estão ligadas por uma gaita mágica. 

O livro  começa com um menino chamado Otto brincando de esconde esconde numa floresta com os amigos. Enquanto ele esta escondido resolve dar uma olhada num livro que tinha comprado de uma cigana mais cedo. Otto lê o primeiro capitulo do livro que conta a história de três irmãs que foram aprisionadas por uma bruxa e que só podem sair se o espirito delas estiver dentro de um instrumento musical. Quando termina o primeiro capitulo Otto percebe que não sabe mais onde esta, a floresta mudou e ele não sabe como voltar para casa. Logo surgem três garotas que são nada mais nada menos que as três irmãs da historia que ele acabou de ler. As irmãs prometem ajudar Otto a achar o caminho de casa e em troca ele deve leva-las com ele, dentro de algum instrumento para que um dia elas possam ser libertadas. Otto tem apenas uma gaita que a cigana lhe deu e assim ele transporta as irmãs e volta para casa.



A primeira história se passa na Alemanha em 1933 onde o menino Friederich tem que lidar com a implicância dos meninos da escola por causa de uma marca que cobre metade de seu rosto e pelo fato dele ficar regendo no ar. Friederich tem um talento musical incrível e sonha em ser maestro, sempre que ele esta com uma música na cabeça, ele levanta os braços no ar e começa a reger.  Um dia o menino encontra uma gaita com uma letra M marcada e quando a toca sente como se a música o preenchesse por completo, o som daquela gaita é diferente, é mágico. 

Os sonhos do jovem Friederich começam a ser destruídos com a ascensão de Hitler. Apesar dele ser alemão legitimo, a marca em seu rosto indica, ao olhos dos nazistas, que ele tem um "defeito" e é um risco para a nação pura e perfeita que Hitler deseja para a Alemanha.


"Quanto mais ele tocava, mais o ar a sua volta parecia pulsar de energia. Ele se sentiu protegido pela capa da música, como se nada pudesse atrapalhar seu caminho."


A segunda história se passa na Filadélfia, EUA,  em 1935, onde os irmãos Mike e Frankie vivem num orfanato desde que a avó, muito doente, os deixou antes de morrer. A avó era professora de piano e ensinou os netos a tocar e quando percebeu que não tinha mais como cuidar deles escolheu um orfanato com piano para colocar os dois. 

Frankie é mais novo e alguns casais já quiseram adota-lo, mas os irmãos se recusam a se separar. O medo da separação fica maior quando eles descobrem que a responsável pelo orfanato vai mandar as crianças pequenas para outro lugar para poder receber mais crianças maiores, que lhe rendem mais dinheiro, já que os maiores de 14 anos podem trabalhar nas fazendas locais.  Um fio de esperança aparece quando o advogado de uma mulher rica aparece no orfanato querendo adotar uma criança que tenha talento musical. Ao ver os irmãos tocarem o piano lindamente o advogado resolve adotar os dois e assim eles vão para uma mansão sonhando em ter uma família. As coisas não são tão fáceis já que a mulher queria uma menina e o que chega em sua casa são dois meninos. Um belo dia os meninos passam por uma loja de gaitas que tem um concurso famoso e querem participar. O advogado, que cuida muito bem dos garotos, não inscreve eles no concurso, mas decide comprar uma gaita para cada um. Mike pega uma gaita que chama a sua atenção, por ser um pouco diferente as outras, ela tem uma letra M marcada e um som extraordinário.


" Sabe as vezes eu me sinto culpado por termos tantas coisas bonitas agora, quando várias outras crianças não tem nada."


A terceira e última história se passa na Califórnia, EUA, em 1942 onde uma menina chamada Ivy, que é filha de imigrantes mexicanos mora com os pais, que vivem se mudando. Fernando, irmão de Ivy esta lutando na guerra e a família toda teme que o pior aconteça. Ivy esta bem adaptada na cidade em que estão e treinando para uma apresentação no rádio. No primeiro dia de aula, a professora informou aos alunos que eles teriam aula de musica, ela levou para sala de aula uma caixa com varias gaitas doadas e deu uma para cada aluno. A gaita de Ivy tinha uma letra M gravada e quando a menina começou a tocar todos ficaram de queixo caído. Depois de meses ensaiando Ivy vai tocar um solo na rádio e esta muito feliz, mas essa felicidade termina quando o pai avisa que eles estão de mudança de novo.

Devido ao recente ataque dos japoneses a base americana de Pear Harbor o governo americano esta levando todos os japoneses que vivem nos Estados Unidos para fazendas, com medo que eles possam ser espiões. Com isso as terras que pertenciam a essas famílias ficam abandonadas e se os impostos não forem pagos eles perdem a propriedade.  O pai de Ivy foi contratado para cuidar de uma dessas terras até que os donos japoneses voltem e assim a família se muda para a Califórnia.

"Ela fechou os olhos e se sentiu flutuar na noite mais escura, entre os cristais cintilantes... Uma a uma, as crianças pararam de tocar par escutar, até Ivy ser a única que continuou tocando."


As três histórias são encantadoras, a autora mistura fatos reais numa história de ficção movida pela música. A edição esta belíssimas, as cores, a diagramação e as imagens são espetaculares. Um livro gostoso de ser lido, uma fabula musical como você nunca viu. Vale muito a pena conferir.


AS CAPAS MAIS ESTRANHAS DOS LIVROS.

"Não julgue um livro pela capa", diz o ditado, mas todo mundo sabe que uma boa capa influencia na compra do livro sim. Quantas vezes você já passou por uma livraria e achou um livro com uma capa tão linda que quis compra-lo imediatamente. Claro, que ter a capa bonita não significa que o livro é bom, mas que ajuda na divulgação, isso ajuda.

Entretanto algumas editoras parecem não ligar muito para as capas, em alguns casos parece que colocaram uma imagem qualquer na capa e já mandaram para a impressão. A seguir listo algumas dessas pérolas da estética literária. 


AMOR DE PERDIÇÃO 

Esse livro (que tem resenha aqui no blog) tem diversas edições, com várias capas, das mais bonitas até esta, que na minha opinião é a mais feia. 

O que é essa imagem exatamente? Pra mim parecem glóbulos sanguíneos. Inclusive acho que já tive um livro de biologia com uma capa parecida. Olhando mais atentamente pode ser que sejam pétalas, mas tá bastante confuso.

Não dá gente, essa capa realmente essa estranha demais, uma pena pois o livro é excelente.






O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON 

História linda que deu origem a um filme incrível, mas o que é essa capa? Primeiro que qualquer pessoa consegue fazer uma capa dessas até mesmo no paint (será que eles pagaram alguém pra fazer isso ou pediram pro filho fazer num momento vago?). 

Basicamente é uma capa toda azul com um circulo amarelo e letras simples. Para completar a obra ainda colocaram a imagem de uma cegonha carregando um homem adulto.  Será que eles leram o livro pra saber que o tal Benjamin não nasce com o tamanho de um adulto?







NADANDO DE VOLTA PARA CASA

Ok, não sei nem por onde começar, achei essa capa horrível. Isso era pra ser uma piscina? Não sei, mas se for esta muito mal feita. E essas pernas, o que significam? Devido a aqueles tracinhos ali (não sei se queriam fazer pingos de água) acho que a intensão era colocar alguém nadando. Mas deu errado, muito errado.  Essas pernas não parecem estar nadando, parece que a garota esta deitada na beira da cama com as penas esticadas.

Pra que misturar imagem digital com fotografia? Ok, em alguns casos essa mistura até funciona, mas não neste. E não podemos deixar de falar nessas letras em formato de um Z ao contrário e do título já começar com letra minuscula. 



ONE, TWO, THREE PULL

Esse livro não ganhou uma tradução em português, mas você consegue encontra-lo no site da Amazon. É um livro infantil e nem vou comentar essa capa.









SÓ AS MULHERES E AS BARATAS SOBREVIVERÃO

Esse livro ta aqui e nem é tão assim pela capa. Ok, a capa não é uma maravilha, mas também não é a das mais feias. As letras do título são quadradonas demais e isso me incomoda. A ilustração até que não ruim não, mas coloquei esse livro aqui pela bizarrice da história.

Li a sinopse e se trata de uma mulher que estava saindo do banho para um encontro e em cima de seu vestidinho preto básico estava uma barata. Imobilizada pelo inseto a mulher não consegue sair de casa e começa a refletir sobre toda a sua vida.

Resenha: GLENRAVEN (Marion Zimmer Bradley e Holly Lisle)

Comprei esse livro a uns dois anos atrás numa feira aqui da minha cidade e confesso que nunca tinha ouvido falar nele. Como o preço era bacana e a capa me chamou a atenção resolvi dar uma chance. Ele ficou parado na minha estante por meses e só recentemente é que fui lê-lo. E só recentemente é que fui reparar que ele foi co-escrito por Marion Zimmer Bradley, a autora de um dos meus livros preferidos: As brumas de Avalon.

Glenraven é uma história de fantasia que mistura os dias atuais com a Idade Média. Bom, dias atuais em termos né, já que esse livro foi lançado em 1996.

A história gira em torno de duas amigas que resolvem passar férias num misterioso país chamado Glenraven, um lugarzinho isolado no coração da Europa. Tudo começa quando Sophie esta numa livraria e encontra um livreto, tipo um guia turístico de uma tal Glenraven, lugar que ela nunca tinha ouvido falar. Imediatamente ela se sente atraída pelo o lugar, como se precisasse ir lá, ela não entende o porquê, mas sabe que deve ir. 

Sophie então decide passar as férias em Glenraven e acaba convidado a amiga JayJay para acompanha-la.  JayJay não tem intensão nenhuma de viajar, mas acaba concordando sem saber como nem porquê, ela abre a boca para dizer não, mas o que sai é um sim. Tanto Sophie como JayJay estão vivendo momentos difíceis, JayJay esta prestes a se divorciar pela terceira vez e Sophie ainda não conseguiu superar a morte da filha.

As duas organizam tudo e embarcam na viagem para o estranho país. Na estrada elas se encontram com um guia que as espera e as coisas já começam a ficar esquisitas. O guia pede a elas que troque de roupa, diz que elas não podem entrar em Glenraven de jeans e camiseta. As moças recebem roupas da idade média, roupas masculinas e  o próprio guia se espanta ao ver que os visitantes forasteiros que iriam chegar são mulheres e não homens.  O guia diz que vai se adiantar um pouco para elas terem privacidade para se trocar e que eles se encontram mais adiante. As duas se trocam, mas não encontram mais o guia, por sorte elas ainda tem o livreto com o mapa do lugar e assim as amigas entram em Glenraven sem saber no que estão se metendo.

Glenraven é uma terra mágica habitada por três raças: os Alfikindirs que são a elite, possuem a magia mais forte e escravizaram as demais raças, os Aregens que possuem poderes mágicos forte, mas que estão quase extintos e os Machnam que são praticamente escravos, possuem pouca magia e tem a aparência de humanos. A rainha do lugar é Aidris Akalan, uma alfikindir com mais de mil anos, que governa com uma crueldade extrema. O objetivo dela é se tornar imortal e ela não vai medir esforços para conseguir isso.

Para tentar se libertar do domínio de Aidris, os aregens uniram seus poderes e o colocaram em um livreto que deveria guiar heróis estrangeiros para Glenraven na esperança deles salvarem o país. Esse livreto é o guia turístico que Sophie encontrou na livraria e por isso ela foi atraída para Glenraven.

A história se desenrola com muitos elementos mágicos e seres fantásticos, as duas protagonistas precisam superar muita coisa se quiserem ter alguma chance contra Aidris. 

Esse livro tem seus prós e contras (na minha opinião). Acho ele um bom livro de fantasia, pra quem curte o gênero  vai embalar na história. Um ponto positivo é que ele é pequeno, são pouco mais de 300 páginas, ou seja se você quer ler uma fantasia, mas não quer uma dessas que tem 6 volumes com 500 paginas cada, Glenraven é uma boa pedida.

O ponto fraco que eu achei é que o livro deixa muitas perguntas sem respostas, tipo como Aidris se tornou a Rainha suprema? Porque as outras raças perderam a magia? enfim, são coisas sobre o passado de Genraven que não são esclarecidos. As protagonistas também são bem irritantes as vezes, ficam reclamando da falta de conforto do lugar e são desconfiadas de tudo.

Enfim, se você gosta de livros de fantasia devia dar uma chance a Glenraven.

Resenha: A GUERRA QUE SALVOU A MINHA VIDA (Kimberly Brubaker Bradley)

"Você é perfeitamente capaz de aprender. Não dê ouvidos a quem não conhece você. 
Escute o que sabe. Escute a si mesma."

Meu Deus! Que livro sensacional. Estou encantada com essa história, acho que todo mundo deveria ler, é simplesmente lindo, é triste em algumas partes, mas é uma história incrível que certamente vai cativar o seu coração.

A guerra que salvou a minha vida vai contar a história de uma menina com mais ou menos dez anos de idade chamada Ada, que vive em Londres no fim dos anos 30 com a mãe e o irmão mais novo. Ada nasceu com uma deformidade no pé esquerdo, chamado pé torto, por isso ela não consegue apoiar o pé completamente no chão e não anda. A mãe de Ada tem vergonha de ter uma filha com uma deficiência e por isso não permite que a menina apareça em público. 

Ada nunca saiu de casa, ela vê o mundo através de uma janela. Ela vê seu irmão Jamie, de seis anos, sair e brincar com as outras crianças, mas ela não pode ir. Ada não anda, ela se rasteja pela casa e é obrigada a preparar o chá para a mãe e a limpar a casa, mesmo com suas dificuldades de locomoção.  Além de viver presa, Ada é constantemente maltratada pela mãe, tanto com palavras quanto com agressões física.Quando faz algo que a mãe considera errado, a menina é trancada num armário embaixo da pia, um local pequeno, úmido e cheio de baratas que sobem pelo rosto da menina. A mãe negligencia as duas crianças, elas vivem com fome e sujas, pois raramente tomam banho.

"A Mãe nunca me tocava, exceto para me bater."

Um belo dia Ada decide tentar andar, ela acredita que se a mãe a vir andando vai deixa-la sair de casa. Então todos os dias, assim que a mãe sai para o trabalho e Jamie vai para escola, a garota tenta ficar de pé se apoiando nos moveis e treina seus primeiros passos.

Estamos no final dos anos 30 e a Segunda Guerra Mundial esta prestes a explodir, por isso o governo inglês decidiu mandar as crianças para o interior, a fim de protege-las já que Londres pode ser bombardeada a qualquer momento. É claro que a mãe não pensa em mandar Ada, a menina não sai de casa, ela terá que ficar em Londres com ou sem bomba.  Mas Ada quer ir, ela vê que essa é a oportunidade de finalmente sair, de conhecer o mundo. Então no dia agendado, ela e Jamie saem de casa bem cedo e vão para escola onde as crianças estão sendo organizadas para serem levadas de trem até o interior da Inglaterra.

Ada e Jamie vão para uma cidadezinha no interior, onde as crianças são destinadas a lares provisórios. Por serem crianças desnutridas, sujas e por Ada ter uma deficiência ninguém quer ficar com eles, mas a inspetora acaba os levando até a casa da Srta. Smith e obriga a mulher a acolhe-los. 

"Então o salão ficou vazio, exceto pelas professoras, a mulher de ferro, o Jamie e eu. A Mãe tinha razão. Ninguém queria a gente. Fomos os únicos que não tínhamos sido escolhidos."

A partir dai a história fica encantadora. Ada começa a conhecer o mundo, a conhecer as coisas e principalmente a conhecer o afeto, o carinho e os cuidados que uma criança merece. A Srta Smith não queria crianças porque passa por momentos depressivos devido a morte de sua amiga, mas é justamente a presença das crianças que vai ajuda-la a voltar a ter gosto pela vida.

Me emocionei muito com a história de Ada, essa garotinha me cativou completamente. A história é narrada por ela, então a gente consegue entrar dentro da cabeça dela e é doloroso ver como uma criança que passou a vida toda sendo humilhada e maltratada pela mãe se sente. Mesmo quando recebe carinho e atenção da Srta. Smith, Ada se retrai, ela acha que não é digna de receber carinho porque ele é "um monstro" como a mãe sempre lhe disse.

"A voz da Mãe ecoou em minha cabeça. Sua porcaria horrorosa! Lixo, imunda! Ninguém quer você com esse pé horrível."

Essa é uma daquelas histórias encantadoras, que toca fundo no seu coração. Não tem como não se emocionar, com certeza seus olhos vão se encher de lágrimas em diversas passagens desse livro. É lindo demais.

O livro retrata a realidade que muitas crianças viveram naquela época ao serem tiradas de suas famílias para viverem em lares temporário. O governo pagava para as famílias receberem essas crianças, então muitos viam isso como uma fonte de renda e muitas crianças eram negligencias e maltratadas. Também vemos que com o passar do tempo (a segunda guerra durou de 1939 à 1945) as famílias levavam seus filhos de volta a Londres por não querer ficar longe deles e acabavam expondo as crianças ao risco dos bombardeios.

"Enfim eu compreendi qual era a minha luta e porque eu guerreava. A Mãe não fazia ideia da forte combatente que eu havia me tornado"

O livro é da editora Dark Side, então a gente já sabe o capricho que a edição tem. Esta tudo muito bonito, capa dura, marcador de fita, ótima diagramação e a contra capa é sensacional.